sexta-feira, 7 de março de 2014

O FINAL DE SEMANA DO MÊS PASSADO





Como eu gostaria de esquecer imensamente aquele final de semana do mês passado. O fato é que não conseguimos apagar as lembranças, não completamente, sempre irá existir o mínimo de algum fragmento daquilo que um dia moveu algo em nós. Gostaria de esquecer tantas coisas, mas sei que eu preciso mesmo é superar. Quem dera o livro tivesse mais páginas para ler, e assim sequencialmente iria virá-las nos capítulos ruins, quem dera não precisar reler esses capítulos. Quem dera ter uma amnésia instantânea, uma formatação breve do que sinto saudade.

Quantas vezes poderia ter repensado várias coisas antes de agir errado, de meter os pés pelas mãos, de ficar preso no mesmo lugar, correndo em círculos, mas não adianta lamentar, aquele final de semana do mês passado, ele não mais vai voltar. Assim como tantas outras coisas que pelo caminho ficou, desde a flor que murchou até o dia em que você se foi. Talvez água demais mate flor, talvez água demais mate o amor. Foi único pecado que cometi, dei tanta água aquela flor, penso que minhas perfeições tenha afogado de certa forma o amor, ou talvez eu esteja completamente enganado.

É interessante notar que não podemos ficar refletindo sobre o que passou, não há como consertar, você pode aprender, mas nada garante que você não vá errar de novo. Como por aquilo naquele lugar em vez do que escolhemos a princípio. Como dizer perfeitamente o que queríamos dizer, não esquecer as vírgulas e os pontos finais. Como gostaríamos de ter feito tudo aquilo que planejamos, porém esbarramos nos nossos próprios erros. Ah ! Como eu gostaria de esquecer aquele final de semana.

Nessa complexidade só mesmo ter amnésia para poder encontrar forças para recomeçar. Pois, por regra todo recomeço exige uma morte primeiro, como é difícil matar quando ainda desejamos tanto.

Não há como voltar no tempo e reverter a situação, mas temos infinitas possibilidades de reverter o que vem pela frente, e isso é bastante significativo para a nossa paz interior. O que você fizer hoje irá te impulsionar no amanhã. Sei que ás vezes queremos tanto ter uma crise de amnésia, ter uma total perda de memória, começar  do zero. Ser uma folha em branco para poder se redesenhar. Mas, mesmo sem ter esse apagão, mesmo lembrando o final de semana do mês passado, quando você disse que não dava mais, mesmo carregado de lembranças, é preciso se manter tranquilo, conter a tristeza e manter o foco. 







domingo, 2 de março de 2014

A pingueira da torneira da conzinha do apartamento do vizinho do vigésimo andar.






Hoje as melhores lembranças estão me causando náuseas. Talvez seja o gotejar da pingueira da torneira, da cozinha do apartamento do vigésimo andar, que esteja me tirando a paciência, que roube minha paz. Inventei tantas desculpas para não levantar da cama, não queria aquele café da manhã depressivo, onde até as paredes estavam tristes e o pão com manteiga, de que eu tanto gostava, tinha gosto de serragem. Nem o sol deu o ar da graça, era um daqueles dias nublados e melancólicos. Eu me sentia parte daquele céu, sentia a tristeza em cada nuvem, que choravam gotas densas por meus olhos.

Hoje apenas queria entender duas coisas, a primeira é por quê diabos não consertam essa torneira? O vizinho do vigésimo andar parecia cuidadoso, porém deixar essa torneira pingar por dias estava me causando certo transtorno, pensei em ir lá e eu mesmo consertar, mas não fui. A segunda coisa que eu queria entender, era o motivo de sua insistência em partir, de querer tudo no mesmo lugar, mesmo sabendo que o tempo bagunça as coisas. Eu cansava de te explicar que o caminho não era esse, eu cansava de insistir para ficar, sem sucesso sempre, você nunca me ouviu. Por que você nunca me ouviu?

Certos momentos da vida tudo se embaraça, afinal ninguém conta com as quedas, mesmo que toda estrada tenha desvios e buracos, eu não estava atento o suficiente, eu não queria estar. Toda vez que te encontrava nada mais importava, do primeiro minuto que te tinha até o minuto de se despedir. Nesse intervalo o tempo parava, as dividas atrasadas não me incomodavam, a dor de cabeça ia embora, estava em completa paz, nem mesmo o insuportável o som da pingueira da torneira da cozinha do apartamento do vigésimo andar, tirava meu sorriso.

Desde do inicio tudo parecia errado, mas ainda assim apostei alto. Um erro que cometi sabendo, eu não deveria ter condicionado minha felicidade unicamente a você. E agora, me pergunto o que fazer? Se entre uma garrafa de vodka e um maço de cigarro, eu ainda visualizo seu rosto, sua voz se mistura ao do som da goteira, e ela não me incomoda mais.

A saudade ainda me degenera, esse processo angustiante me faz ter medo de sair de casa e enfrentar a estrada novamente. Queria eu não sair tão ferido sempre, buscar uma solução imediata, pois a vida é tão curta para se perder saboreando o amargo dos dias tristes.

Nada me faria mais feliz do que ter você de volta. Por semanas olhei pela janela algum sinal seu, mas o inverno tinha chegado e partido, e nada mudado. O vizinho do vigésimo andar tinha consertado sua torneira, mas eu ainda estava em guerra comigo mesmo.

Perder você  foi como me perder também, parte do que gostava em mim, era justamente a parte que você era responsável. Gostaria de me sentir mais seguro, e não precisar de tantos cadeados.

Depois de tudo percebo que nem dava para ouvir a pingueira da pia do vizinho do vigésimo andar, percebo que ser forte necessitaria de mim mais coragem. Coragem em admitir que estou sendo fraco, em fazer algo a respeito. Era preciso coragem para subir 10 andares e pedir para consertarem a pia, e eu não tive. Me sinto culpado por tudo, e esse remorso criou uma ferida incurável. 

Eu diria tantas coisas se ainda pudesse, te levaria a tantos lugares se ainda desse. Garantiria todas as promessas se você ainda quisesse, e continuaria te amando como ainda amo. Mas, sinto que tudo ficou longe, como o próximo verão, como o vigésimo andar que não subi para consertar aquela pia que tanto me incomodou.